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Esperar o inesperado
Inserido em 2012-10-23  |  Adicionar Comentário


Quantas vezes já vos aconteceu terem uma aula planeada ao minuto e nada correr como previsto? Porque a turma não aderiu às atividades, porque falhou a Internet ou simplesmente porque as fotocópias não estavam prontas a tempo. A mim já me aconteceu inúmeras vezes...

Ainda na semana passada, a propósito do tema do manual de 10.º ano – A World of Many Languages – surgiu uma discussão fantástica na sala de aula. Tinha começado a aula por analisar um cartoon sobre a diversidade linguística, passando depois para a definição de Third Culture Kid (TCK) – qualquer adolescente que cresceu longe da cultura dos pais, noutro(s) país(es) e que tem raízes em diversos sítios. Logo aqui, as opiniões dividiram-se, já que havia dificuldade em perceber o sentido da expressão “Third Culture Kid”. Alunos e alunas questionavam-se sobre a utilização de “Third Culture” em detrimento de “Second Culture”, por exemplo. Os meus cinco minutos previstos para esta atividade transformaram-se em mais de dez.

Depois, de forma a clarificar o que seria TCK, tinha selecionado a história de Peter*, que se revelou um sucesso: todos gostaram imenso de ler sobre a vida deste adolescente, sobre aquilo que é diferente na sua rotina – por exemplo, o contacto com línguas e culturas diferentes – e as imensas viagens que fez no mundo inteiro. A curiosidade que esta história suscitou teve uma consequência inevitável: a aula falhou e a compreensão escrita prevista teve de ser adiada para outra aula.

Após a leitura do texto, regressámos ao debate sobre a definição de TCK. Chegar à definição final do que é alguém com este background linguístico e cultural acabou por ser tarefa fácil, mas os(as) alunos(as) quiseram saber mais.

Tirando então proveito da excelente ferramenta que é a Internet, aproveitei para lhes mostrar mais histórias de adolescentes e encontrei um filme fantástico feito por um estudante a propósito da sua tese de curso. Foi a cereja no topo do bolo. Para além de lerem histórias sobre pessoas com esta vivência, puderam ouvir na primeira pessoa testemunhos de alunos e alunas da sua idade. Enquanto viam o vídeo, elaborei uma atividade de matching para resolverem em casa. O vídeo foi ainda trabalhado oralmente na aula e as respostas dadas pelos vários adolescentes foram comentadas. Apesar de demorar o dobro do tempo que estava previsto, a aula acabou por ser um êxito graças ao entusiasmo e envolvimento da turma.

A aula não correu como estava inicialmente previsto no plano de aula, mas acabou por se revelar um sucesso. Nada que não vos tenha acontecido, suponho, mas nem sempre a conclusão é clara como foi a minha desta vez!
E um projeto escolar com diversidade de recursos, nomeadamente multimédia, pode funcionar como uma boa base para estas inflexões que tantas vezes temos de fazer nas aulas.

Certamente que têm histórias semelhantes que podem partilhar aqui connosco.

* bintang.site11.com/ThirdCultureKid/TCKPD – Este texto sofreu alterações para poder ser entregue à turma.

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Concordo inteiramente com a Joana. Flexibilidade, adaptabilidade...são palavras de ordem na nossa profissão. Ensinamos, mas todos os dias aprendemos alguma coisa e também a deixar-nos "ir na onda" dos alunos, pois, acima de tudo, pretendemos discentes motivados e ativos no processo de ensino/aprendizagem, e não amorfos, passivos e desinteressados.
Já todos percebemos que as aprendizagens são proporcionais ao interesse, ao impacto e à oportunidade para a personalização. Tudo o que lhes diz respeito torna-se, de repente, muito mais motivador e "engaging",por isso o meu lema é mesmo "Keep Calm and pretend this is on the Lesson Plan"! Ao longo dos cerca de 20 anos de ensino, perdi conta às vezes que isso aconteceu e continua a acontecer, como acontece com a colega Joana - aliás, se acontece, é sinal que @s alun@s estão atentos e ativos.
No entanto, situação que talvez mais me marcou foi em aula observada...